Faxineira juntou dinheiro por 9 anos para comprar um terreno e criar o filho, e ergueu a casa com 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos
Após economizar durante quase uma década, faxineira consegue casa própria feita com blocos produzidos a partir de plástico descartado

Depois de passar nove anos economizando parte do salário de faxineira para conseguir comprar um terreno, uma mãe da Costa Rica encontrou uma maneira inusitada de transformar o sonho da casa própria em realidade.
Cindy Mora Abarca construiu uma residência para viver com o filho usando cerca de 7 toneladas de plástico reciclado no lugar dos tradicionais tijolos.
O projeto foi realizado em Alajuelita, na região da Grande San José, e transformou garrafas, sacolas e outras embalagens descartadas em blocos utilizados na construção.
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Terreno levou nove anos para sair do papel
Cindy passou quase uma década guardando o dinheiro que conseguia economizar do trabalho como faxineira. Mesmo após juntar o suficiente para comprar o terreno, ainda precisou recorrer a um empréstimo para concluir a aquisição.
Com o lote finalmente comprado, surgiu outro desafio: conseguir construir uma casa para ela e o filho, Fabrizio, que tinha 6 anos na época.
Foi nesse momento que uma parceria entre a Procter & Gamble, Habitat for Humanity Costa Rica, Urbarium e Ekojunto viabilizou uma solução diferente para a construção.
Plástico descartado virou bloco de construção
O projeto utilizou o sistema chamado Bloqueplas, desenvolvido pela Ekojunto. A tecnologia transforma resíduos plásticos em blocos que podem ser encaixados uns nos outros, dispensando o uso tradicional de argamassa entre as peças.
Garrafas, sacolas, embalagens e outros materiais foram recolhidos, higienizados, triturados e transformados nos componentes utilizados nas paredes.
Ao todo, aproximadamente 7 toneladas de plástico que poderiam terminar em aterros sanitários foram reaproveitadas na residência.
A obra também contou com mais de 800 horas de trabalho voluntário. O projeto começou em abril de 2018 e a família recebeu as chaves em 26 de maio daquele ano.
Casa foi projetada para resistir ao clima da região
A utilização do plástico levantou uma dúvida natural: seria possível construir uma residência resistente utilizando esse tipo de material?
Segundo a Urbarium, o sistema foi desenvolvido para suportar as condições climáticas da região e atender ao código de construção antissísmico da Costa Rica.
Entre as características atribuídas ao sistema estão isolamento térmico e acústico, resistência a intempéries e montagem mais rápida.
Projeto também combate o desperdício de plástico
Além de criar uma moradia, a iniciativa tinha um objetivo ambiental. Dados do Ministério da Saúde da Costa Rica citados pelo jornal La Nación apontavam que o país descartava aproximadamente 564 toneladas de plástico por dia em 2018, enquanto apenas cerca de 14 toneladas eram recicladas diariamente.
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